Comboio

Intercidades. Depois da sugestão no intercomunicador, dirijo-me à carruagem 88. Caminho aos tropeções ao longo de duas carruagens. Reparo no apeadeiro perto de Santarém e na forma como os asiáticos se sentam a dormitar nas viagens de comboio. Quando chego à cafetaria, peço um café e um donut a um empregado de ar indolente, entretido a ler o jornal desportivo. Um inglês de óculos escuros e chapéu dos New york Yankees observa-me enquanto eu me sento na mesa corrida, em frente à janela. O meu sentimento de nostalgia é corrompido pela porta da entrada, que vai a batendo descontroladamente à medida que a carruagem trepida e se inclina. Reparo no leve aroma a urina que paira no ar estagnado. O empregado apático vai mandando ao ar alguns impropérios. Quando o contraste no reflexo do vidro permite, vejo o meu rosto e reparo que nem a barba fiz. Dois meses de barba descontrolada, pensei.

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