A esperança

Aqui há muitos anos o bisnagas estava grávido de esperanças e tinha um plano. Andava a dar duro no casino. Costumava beber uma, duas, três, quatro, cinco e seis granadas naquele balcão visualmente colorido do terceiro andar do casino. Eram noites pesadas mas cheias de amanhãs onde o bisnagas ficava a ver aquela bola a rodar na roleta até não ter dinheiro. Depois virava-se para mim e pedia-me umas notas. Voltávamos ao balcão para malharmos mais umas e ele aproveitava para contar-me, uma vez mais, sobre o esquema. Os esquemas, as promessas, as jogadas, a noite bacana, os cús bacanos que por ali passavam e um dia haveriam de ser nossos. No fim, saíamos derrotados e desfalcados do casino. Sem cú, sem dinheiro, mas com esperança. A esperança do bisnagas. Rumávamos ao cais do sodré para comer um kebab gorduroso na bernardino costa, onde o bisnagas costumava discutir com os empregados sobre números e esquemas de jogo. Esses empregados, também tinham um plano. O bisnagas costumava prometer-me a pés juntos que para a semana é que era. Que metesse os olhos nos indianos, que hoje estavam ali a servir kebabs a bêbados e maltrapilhos, mas para a semana estariam a caminho de grandes festas onde estariam grandes cús em mini saia. Tudo nosso, nada neles, gritava-me. Depois a conversa ia-se tornando escapatória e o bisnagas cansava-se dos esquemas e dos planos. Entrava noutro modo. Um modo mais duro e sem complacência. Um modo predatório onde o lugar da esperança era ocupado pelo talento.

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