Subúrbios

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À esquerda do Bairro Rosa está o Bairro Branco e em frente o Bairro Amarelo. Depois disso, é terra de ninguém. Há um único autocarro que vai largando africanos em paragens de chapa com um banco corrido de madeira e que passa de oito em oito horas. Ao longe, desoladamente, há bairros com nomes desconhecidos. As paredes estão repletas de RIP’S e sentidos desejos de morte com nomes de agentes da guarda republicana por baixo. Há também um que diz “a pobreza é muita a fama é ainda mais”. A densidade de prédios nestes bairros é menor e nas estradas desertas só passam camiões a caminho das fábricas da SOVENA. Os africanos aqui trabalham as terras. Couves, principalmente. Há palmeiras anãs de infinita tristeza e cães vadios à procura de ossos nos montes de lixo. Não sê vê caixas de brinquedos neste lixo. É um lixo pobre. Quem, dos bairros sociais olhe para cima, não os vê. Quem, vindo de lisboa olhe para o porto brandão, não os vê. Mas eles estão lá. São os que tratam os mortos na morgue do Garcia da Orta. São os que passam noites a pescar qualquer coisa em cacilhas. Há quem os confunda com os subúrbios.

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