O circo na cidade

Todos os dias de manhã a caminho do trabalho costumava passar por um circo de nome manhoso e ar abandonado num arrabalde. Certa manhã decidi ir até lá na esperança de obter boas fotos, mas no lugar do circo, com jaulas ferrugentas e palha espalhada, estava agora um enorme largo semi vazio e árido com alguns carros atabalhoadamente estacionados. Ao longe, vi um varredor de ar cansado e abatido, envolto numa pequena nuvem de pó. Percorri a praça até ao encontro dele e quando me aproximei, perguntei-lhe pelo circo, «eh, o circo?», perguntou-me de volta. Expliquei-lhe que tinha visto um circo acampado exatamente ali naquele local, no dia anterior. Demorou alguns segundos a revolver a memória, enovoada pelo pó fino que subia do chão, «ah, o circo, sim sim, estava aí, mas foi embora.», disse-me enquanto retornava lentamente à tarefa. Suspirei e desolado olhei a praça, descaracterizada e monótona. Quando por fim comecei a afastar-me o varredor atirou-me em tom trocista, «perdeu o circo foi?».

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