A Cigana

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Nestes dias de grande nevoeiro, costumo acordar mais cedo e fazer este carreiro a pé. Depois meto pelos bairros sociais que adquirem um ar ainda mais obscuro e cruel sem que lhes consigamos ver o fim, lá no topo. São blocos atrás de blocos sem que o nevoeiro os distingua. É como rumar em mar alto, à deriva. No outro dia, dei com uma cigana sentada a olhar o vazio. Estavam dois cães de raça perigosa a remexer o lixo por ali espalhado e nem os cães nem a cigana deram por mim. Estava um silêncio sinistro e as couves por ali plantadas estavam tão congeladas como a relva descuidada. Meti-me à frente da cigana e disparei. Uma, duas, três, quatro vezes. Nem um som. Afastei-me silenciosamente e segui pelos túneis chamuscados. Os cães continuaram a escarafunchar as entranhas daqueles projetos e eu fiquei a pensar na maldita da cigana.

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