No sopé

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Afastados dos bairros sociais no sopé do monte há uma pobreza branca que vive encafuada em barracões de madeira. Há cartuchos de caça espalhados por todo o lado e cães presos por correntes a ladrar furiosamente. Alguns tanques atulhados de lixo e várias peças de roupa rasgadas estendidas ao sol. Vi eu mesmo dois cães mortos de boca aberta e abandonados à espera que a terra os cubra. Não tirei os olhos das janelas de rede e tive de esperar vinte minutos até que os outros cães se calassem. Deduzi que não estaria ninguém por ali. São brancos que costumam trabalhar nas hortas junto às falésias, vergados ao sol ou vão para o mar apanhar peixe. Algumas botas de borracha espalhadas e brinquedos, muitos brinquedos partidos e ressequidos pelo tempo. Vivem cercados por canaviais e todo o espaço serve de entulho. No inverno a miudagem costuma brincar nas poças de lama e de certeza que estão referenciados pelos serviço sociais. Há abusos sexuais, há violência doméstica, há má higiene, não há canalização. Vivem isolados do mundo.

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