Chelas, a estrada

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Conheci este grupo na estrada de chelas. Atirei-me ao mais verdinho e instruído que me explicou as suas andanças na grécia, espanha e por fim, portugal. Estava cheio de tatuagens anarquistas e tinha formação universitária. Explicou-me que odiava a polícia (ACAB) e que ia fazer a revolução e acabar com o capitalismo. Eram 11h da manhã e estava a beber vodka com vinho verde. A dado momento um baixinho com ar durão disse-me que conhecia um fulano que tinha umas tatuagens maradas da cana. Pôs-se a gritar pelo nome dele e pediu-me que esperasse e eu esperei enquanto ia conversando. Quando chegou, o “zakas” estava de gorro e óculos escuros com o rosto absurdamente marcado. Aparentava ter quarenta anos daquilo e o ar ficou cheio de tensão. Senti que me ia perguntar se eu era polícia mas abandonou a ideia assim que eu atravessei a rua e com duas litrosas enchi o copo de todos. O “zakas” não era fascinante nem era literário para ser muito sincero mas consegui que ele falasse comigo. Falou-me do terço que usava e mostrou-me as tatuagens da prisão, as cicatrizes e da vida que levou e leva. O chão estava peganhento e cheio de urina cediça. Os carros passavam indiferentes e os velhotes seguiam no passeio oposto. Ali perto tentaram fazer um jardim para as crianças com balouços e um chafariz, mas ficou ao abandono. O sol começou a corroer o pouco verde que existia e as ruelas voltaram a ter os mesmos buracos que antigamente. O “zakas” não me contou esta parte, como é óbvio.

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