No Natal

Sempre acreditei no pai natal: a família juntava-se na casa da minha avó e foi uma festa quando o primeiro namorado da minha prima saiu da prisão e quando a minha outra prima arranjou um namorado que vivia na buraca e tinha uma Ninja ZX-6R 600cc. Lembro-me quando o asas saiu da prisão e passou lá em casa e lembro-me das discussões sobre a pensão de alimentos da ex-mulher do meu tio que tinha um cabeleireiro em chelas. A minha outra tia a gritar que tinha ido à rússia e que nós não sabiamos o que era o mundo e o meu outro tio sentado no sofá a beber litrosas e a mandar valentes palavrões para saíram da frente da televisão. A minha avó fazia um arroz doce maravilhoso que ficava a arrefecer nas prateleiras cheias de bugiganges e costumava montar um pequeno presépio entre os dois pratos do sporting, debaixo do quadro do menino que chora de proporções épicas. Na noite de natal enchia as flores falsas com perfume, lavava os naperóns e dava uns bons contos de réis ao luis que os ia gastar no cavalo. O cof cof aparecia sempre para jantar connosco porque a mãe dele negligenciava-o (o pai era um escroque da pior espécie) e a minha avó nunca negava sopa a ninguém. Depois na noite de 25 disparávamos uns tiros para o ar e no dia seguinte a minha avó ganhava um sorriso natalício e satisfeito.

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