Talento

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Encontrei um rapaz relativamente jovem sentado nesta cadeira. Levantou-se de supetão e veio perguntar-me nervosamente se eu sabia onde é que a carrinha dos serviços sociais parava, se ali, se mais à frente, onde? Tinha uma longa barba descuidadamente cuidada, um chapéu hipster com um crachá amarelo dos wu-tang clan e uns ténis extremamente caros, daqueles importados. Disse-lhe que não sabia. Voltou a perguntar-me como podia ir dali ao brooklyn, nos bairros amarelos. Disse-lhe que a pé ia ser um esticão. Despediu-se de mim e fez-se à estrada todo gingão. Percebi que era de artes. Dá para perceber quando as pessoas são de artes. No entanto há duas semanas apanhei-o de cerveja na mão e cigarro na boca na feira da ladra, doido e desconectado da realidade a barafustar com um comerciante. Estava acompanhado por um matulão todo tatuado com problemas na tiróide. Deixou-me a pensar no talento e naquela descida agressiva até batermos no asfalto.

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