Rose

Tenho um bom catálogo, talvez o melhor de lisboa. A Rose é uma brasileira fogosa e doce como o chocolate milka, aquele de morango e iogurte. Na mão direita tem uma linda rosa tatuada com traços muitos grossos num vermelho grosseiro e na mão esquerda as letras “e nois” espalhadas pelas respetivas falanges. Contei mais de cinco piercings espalhados pelo rosto bojudo. Tem o verde fluorescente, o rosa, o azul, o preto, o branco e o vermelho. Uma das finas sobrancelhas está cortada ligeiramente no fim e o cabelo crespo mas esticado está torrado nas pontas. Usa uns shorts customizados excessivamente justos com tachas em forma de anjo. Uma blusa sarapintada de cores não lhe cobre a barriga em forma de balão. A Rose está-se nas tinas. Vai a falar ao telemóvel agarrada à barra horizontal do transporte público, expondo a barriga redondinha e acusando a falta de traseiro. No vai e vem das curvas vai tocando com a volumosa barriga no ombro magro do gestor de redes. Ele ficou nervoso e ela percebeu. Ela vai-se chegando, chegando, chegando. A cada curva a Rose, doce como um marmelo, vai-se chegando. Mas ele, nervoso, deixou-a ir embora. Ela saiu no monte e fez-se à estrada com aquelas havaianas verdes em direção aos projetos sociais da câmara municipal de almada. Ainda lançou um último olhar atrevido ao gestor de redes, mas faltou-lhe coragem. O autocarro arrancou sem cerimónias e no resto da viagem um velhote gordo com um chapéu vermelho a dizer “enjoy life” fez a vez da Rose, encostado ao gestor de redes.

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