Os pretos

Enquanto tirava esta foto aproximou-se de mim um homem de bicicleta cheio de tatuagens. Tinha uma guedelha desalinhada e os olhos encarniçados. Disse-me que não tirasse fotos porque ali era só pretos. Sorri-lhe e perguntei-lhe pelo nome. Balbuciou qualquer coisa e com o queixo indicou que havia mais pretos por ali espalhados. Depois meteu-se pelo carreiro que cerceava a barraca e desapareceu assim como apareceu. Eu continuei o meu caminho até dar com uma igreja. Não vi nenhum preto por ali. Meti por outro carreiro junto à igreja e continuei pelo areal até dar com um jovem sem t-shirt a plantar couves. Pedi-lhe direções e disse-me que não seguisse muito mais, porque ali (e apontou) era só pretos. Sondei a zona e lá longe no emaranhado de barracas vi realmente dois pretos, para cá e para lá. Devem ter-me visto, porque um deles começou a gesticular e a chamar-me. Juntou-se mais um e mais um até que vi uma senhora grávida a cirandar por ali no meio deles. Passei por um monte de lixo acumulado e quando olhei para trás para medir a distância é que percebi que os pretos estavam atrás da igreja, tapados pelos canaviais.

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