Outono

Sempre me pareceu que os funerais são no verão, pelo menos nos últimos vinte a que fui. Fico sempre animado e cheio de planos quando chega aquele fresco de outubro e novembro. Sinto que chega a saída precária para alguns e o regresso à liberdade para outros. Sei que os funcionários da câmara vão lavar as ruas à noite com aquelas mangueiras grossas e a canícula das ruas vai-se evaporar. As beatas, os maços de tabaco, as garrafas de cerveja, os preservativos usados e as seringas contaminadas, vai tudo ser empurrado para os esgotos. Depois os enfeites de natal e o reboliço dos presentes vão dar alguma alegria às ruas, até à ressaca do dia 1, quando a mesa farta ainda não foi posta e nós, perdidos, andamos por aí com meia dúzia de trocos na algibeira sem aquelas baratas grandes e crocantes a sair dos esgotos nos projetos sociais para nos entreter.

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