Exilado

Há 25 atrás a câmara ainda não tinha reabilitado os bairros cooperativos e o crédito era uma miragem. A quinta do mocho ainda não sabia o que era a “Arte” e a cruz vermelha era uma massa indistinta de barracas. A requalificação do casal ventoso era um bate boca e o cavaco silva andava tremido, já a fazer contas à vida. A eletricidade ainda era um luxo e a água canalizada era um objetivo de vida. Depois vieram as urbanizações camarárias, os jogos sem fronteiras e as duas refeições dignas. O crédito, a democracia, o mac demarco e a internet finalizaram o processo. Lisboa está moderna com a alta de lisboa a brilhar de orgulho. Altaneira, nunca a conheci assim. E é por isso que estou exilado na outra margem, entre os meus. Ainda hoje vinha no autocarro ao lado de uma moça com o cabelo descolorado. Trazia uma daquelas tshirts com padrão tigresa e ia a rir-se para o telemóvel enquanto via o “Você na TV” ao mesmo tempo que ia tirando caramelos da mala. Depois riu-se com genuína felicidade quando viu o vídeo do César Mourão e do Salvador Martinha. Meteu o indicador anafado na boca para sondar resquícios de caramelo e voltou a chupar o dedo. Não deu por mim, não deu pelo mundo. Parecia-me feliz, com pouco.

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