Noite de dezembro

Eram umas quatro da manhã e caía uma chuva mesquinha. Eu vinha da segunda circular para seguir na A1 e foi mais ou menos depois da fábrica da triumph. Um honda civic preto aproximou-se de mim na via de aceleração, vindo de sacavém. Um jovem agitadíssimo ia ao volante com os olhos postos no retrovisor de forma suspicaz. Conduzia de capuz posto e tinha um cigarro na boca a descair pindericamente de lado. Pelo canto do olho vi-o a tentar limpar o vidro da frente já embaciado e a deixar cair o cigarro. Deu umas quantas pancadas no volante e soltou um grito mudo. Reparei que a barba estava por fazer e quando se baixou para apanhar o cigarro eu aproveitei para acelerar, ultrapassando-o. Lancei uns quantos olhares ao retrovisor. O carro dele estava com um farol intermitente e a matrícula estava suspensa no lado esquerdo. Continuei a acelerar até deixar de o ver e quatro minutos depois eu mesmo não reparei na operação stop. Tentei travar, o carro patinou mas eu dominei-o e abrandei a velocidade, sem parar. Ninguém me fez sinal e segui sem problemas no anonimato e de coração acelerado. Quando voltei a meter a quarta já ia quase na póvoa de stanta iria e curiosamente lembrei-me do honda civic. Será que ele parou a tempo?

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